Pela janela da cozinha, vinham novos odores do jardim, entravam no quarto e lutavam com o perfume da velha: cheiros de terra e erva, odores de folhas queimadas, de vento, de árvores. Tentavam penetrar na pele, procuravam o ponto fraco, sem se apressarem. Se o encontrassem acabava tudo para sempre; instalar-se-iam no seu corpo, enchê-lo-iam, aterrá-lo-iam; quando emanassem novamente da mulher, já não seria uma mulher, mas uma espécie de monte abandonado de terra e ramos secos.
Le Clézio, "A Febre"
