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Wednesday, March 26, 2008

Sonhar e Compreender

A imaginação quer sempre sonhar e compreender ao mesmo tempo, sonhar para melhor compreender, compreender para melhor sonhar.
Gaston Bachelard, "A terra e os devaneios do repouso"

Qualquer criação tem razão de ser pela sua estrutura e pela inovação adjacente. Sonhar conta como um processo estranho à razão, que se degrada para logo a seguir agregar elementos totalmente novos e, antes, estranhos. Assim é nas ciências. Nas artes, se a criação (imaginação) existir desprovida de compreensão: é apenas vago sonho.

Friday, January 18, 2008

Imaginação animalizada

E no entanto, uma imaginação um pouco animalizada experimentaria algum prazer revivendo as forças do ser flexível, do ser enlaçante.
Gaston Bachelard, "A terra e os devaneios do repouso"

A imaginação animalizada habita na fronteira do ser interior e, por isso, está mais interessada no toque ao mundo exterior do que nos devaneios da dúvida do ser.

É por isso que agarra a realidade concreta pelos cabelos; submetendo-a de seguida.

Tuesday, January 8, 2008

O Frio

O frio, em nossa opinião, é uma das maiores proibições da imaginação humana. Enquanto o calor de certo modo faz nascerem as imagens, podemos dizer que não se imagina o frio.
Gaston Bachelard, "A terra e os devaneios do repouso"

Consigo imaginar o frio primordial, de um Universo inóspito e inabitado. Esse frio é a morte mais assumida: a morte do que, já por si, nunca podia ser vida porque este frio é estéril. A um grau mais humano, e talvez por isso relevante, encontra-se o frio cadavérico de um corpo sem vida.

E o imaginário do frio é rico: gelar o sangue nas veias, frio de rachar, um arrepio pela espinha, pessoa fria (..). Também, a ausência de alma, ou humanidade, que habita as pessoas frias.